terça-feira, 29 de julho de 2008

Intercâmbio acaba em pesadelo - Jovem retido na Alemanha


A iniciativa, promovida pela associação OCRE, de Castelo de Vide, acabou com um imprevisto...
Um dos jovens foi impedido de embarcar e ficou na Alemanha, onde ainda se encontra. Se tudo correr como o previsto, David voltará amanhã para Portugal.

No âmbito de um intercâmbio promovido pela associação OCRE – Associação para a Valorização do Ambiente, Cultura, Património e Lazer, de Castelo de Vide, um grupo de jovens do Distrito de Portalegre viajou para Postsdam, na Alemanha, no passado dia 13 de Julho.

Foram 13 dias de aventura e novas experiências culturais mas que terminaram de forma inesperada no Sábado, dia 26, data do regresso a casa. David, um jovem de 18 anos que vive em Castelo de Vide, acabou por ficar na Alemanha, sozinho. Segundo nos contou Maria dos Anjos Lourenço, mãe de David, no momento do embarque o jovem não terá encontrado o Bilhete de Identidade B.I.), o que impediu que regressasse a Portugal. "Gerou-se uma certa confusão no aeroporto. O meu filho pensava que tinha perdido o B.I. mas apenas o tinha mudado de sítio, só que na altura não o encontrou e o avião acabou por descolar", explicou a mãe do jovem.

Obviamente assustado com a situação, David ligou imediatamente para a mãe a contar o sucedido. Tal como Maria dos Anjos disse ao nosso jornal, "os jovens estavam todos a embarcar e ele era o último da fila". Os colegas foram entrando e ele foi impedido por não apresentar o documento, ficando assim sem o restante grupo na Alemanha.

Longe do filho nesta situação insólita, a mãe está obviamente preocupada, até porque quando falou com o filho, no Sábado, "ele estava mesmo muito nervoso e assustado. O miúdo estava cheio de fome e, sem dinheiro, ficou completamente sozinho no aeroporto", contou Maria dos Anjos. Logo em seguida, o jovem terá entrado em contacto com a associação do intercâmbio na Alemanha e é com eles que tem estado.

Ainda no dia de Sábado, o jovem tentou resolver a situação junto da Embaixada Portuguesa na Alemanha mas, por ser fim-de-semana, aqueles serviços não estavam a funcionar. No Domingo, depois de ter falado com o filho várias vezes ao telefone, Maria dos Anjos achou-o "já mais calmo e com a esperança de que tudo se resolva rapidamente para voltar para casa".

No Domingo, Maria dos Anjos Lourenço não tinha ainda conseguido contactar os responsáveis pela OCRE, e pelo intercâmbio, e na altura adiantou ao FN que "eles estão de férias, não está cá ninguém e através dos telemóveis também não consigo falar com eles". Já ontem, segunda-feira, a mãe de David conseguiu chegar à fala com elementos da OCRE que, afinal, já tinham iniciado todos os esforços para proporcionar o regresso de David a Portugal. Segundo Maria dos Anjos, "se tudo correr como o previsto, o David virá para casa na quarta-feira". Como é óbvio, a mãe de David apenas deseja que "ele volte para casa porque isto realmente é muito complicado".

De forma a percebermos melhor o que se passou no aeroporto, o nosso jornal falou com um dos jovens que também participou no intercâmbio. Pedro Cardoso, também de Castelo de Vide, confirmou aquilo que David contou à mãe através do telefone. Segundo o jovem, "Fizemos o check-in e entre isso e a altura de entrarmos no avião, o David perdeu, por assim dizer, o Bilhete de Identidade. Tinha-o metido na carteira junto a uma nota de cinco euros e o B.I. dele é dos novos, ali junto à nota confundia-se e ele não o encontrou", contou Pedro. Enquanto David procurava o B.I., os restantes jovens foram passando à frente e entrando no avião. Começaram a perguntar uns aos outros onde estava o David, até ao momento em que, como relatou Pedro, "veio um homem perguntar se éramos o grupo de Portugal. Nós dissemos que sim e ele disse-nos que o David não podia embarcar por ter perdido o B.I.. Depois, o senhor perguntou-nos se não tínhamos o passaporte ou qualquer documento dele mas nós não tínhamos nada", lembrou o jovem. Pedro tentou, nessa altura, sair do avião para dar o telemóvel ao amigo mas, tal como disse, "não me deixaram".

O grupo estava acompanhado de uma monitora que na altura também já estava dentro do avião e que, juntamente com os jovens, apercebeu-se que David não poderia embarcar naquele voo. Segundo as declarações de Pedro Cardoso, "ela não fez quase nada. Eu é que fiz para lhe passarmos o telemóvel, eu é que tive que andar ali a perguntar se podia ficar lá na Alemanha ao pé dele, eu é que tive que fazer tudo. O jovem afirmou ainda que a monitora, como responsável pelo grupo, não pôs a hipótese de ficar na Alemanha junto a David. "Quem teve que dar essa hipótese fui eu", sublinhou Pedro e continuou, dizendo que a responsável "só perguntou se o David não podia embarcar naquele avião". Pedro sabe que David "voltou para a associação onde nós estávamos lá e até agora está lá sem roupa e sem dinheiro".

Cristina Martinho, a monitora que acompanhou o grupo na viagem, contrapôs as declarações de Pedro Cardoso e garantiu ao nosso jornal que fez tudo o que podia para resolver a situação. A responsável afiançou que "os seguranças não nos deixaram voltar para trás, o telemóvel dele demos a um segurança para lho entregar", dizendo mesmo que "se tivesse hipótese teria ficado lá com o David, claro que sim". A monitora quis também frisar que "entrei logo em contacto com a associação alemã, do inter-câmbio, e assim que chegámos a Portugal, liguei ao David".
OCRE "não abandonou o jovem"

Entrámos também em contacto com a OCRE, associação promotora do inter-câmbio.
Olivier, membro da OCRE, começou por explicar ao nosso jornal que "eles até chegaram com uma hora de antecedência ao aeroporto mas no check-in havia muita gente, esperaram muito e depois tiveram pouco tempo para irem do check-in até ao embarque". O percurso entre o check-in e o embarque terá sido feito a correr, segundo o responsável, e "o David foi ficando para trás porque não encontrava o B.I., atrapalhou-se e perdeu o avião". Olivier afirmou que, assim que o grupo chegou a Lisboa, a monitora ligou ao David e de seguida contactou a associação para contar o sucedido. "A Cristina ligou-me a contar e garantiu-me que já tinha falado com o David e que ele estava bem", disse o responsável.

Para o membro da OCRE, esta situação "não passa disto, no fundo é ele que se atrapalha e perde o avião". Olivier confirmou ainda o que foi dito por Cristina Martinho, dizendo que "eles já estavam dentro do avião e não podiam voltar para trás". O responsável fez questão de frisar que "ele não ficou abandonado e trata-se de um maior de idade, não é uma criança. Se fosse um menor o caso era completamente diferente, assim é um caso de responsabilidade individual", argumentou Olivier. Além disso, tal como sublinhou, "a Cristina entrou logo em contacto com a associação na Alemanha e o David ficou com eles, não ficou abandonado nem perdido. Foi alojado e alimentado", disse o membro da OCRE.

Relativamente ao regresso de David a Portugal, Olivier revelou-nos que "a associação alemã já arranjou maneira de lhe pagar um novo bilhete, depois veremos quem terá que o pagar".
O responsável desdramatizou o caso, afirmando que "não passou de um azar de viagem, como pode acontecer a qualquer pessoa no Verão. Perde-se uma mala, alguém perde um autocarro ou um comboio. Depois temos é que assegurar que as pessoas estão bem", disse. E quanto a isso, Olivier confirmou que a preocupação para com David tem sido constante, pois "a Cristina tem estado sempre em contacto com ele e nós também".

O membro da OCRE, que lembrou que a associação "faz intercâmbios há muitos anos e não tem tido problemas do género", teme que a associação seja prejudicada em consequência deste acontecimento. "Estamos cá para que não hajam consequências mas se os pais de outros jovens ficam com a ideia de que a OCRE organiza mal os intercâmbios, isso será mau para os jovens", adiantou Olivier. O responsável referiu ainda que "isto é uma oportunidade para muitos jovens, que não têm outras oportunidades de viajar, de poderem descobrir o Mundo, a Europa, e poderem fazer trocas com jovens de outros países". Mas, tal como frisou, "depois a responsabilidade é de cada um".

Ana Nunes (Jornal Fonte Nova)

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