sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

‘Paraíso’ dos Schweikert nas mãos da justiça



Em Outubro último, o nosso jornal deu a conhecer a história da família Schweikert e da sua ‘Paradise Island Family’, situada em Marvão, nomeadamente na freguesia da Beirã. Uma família alemã que vive longe da civilização, que apenas come aquilo que a terra lhe dá e que tem hábitos de vida indubitavelmente distintos dos tradicionais.


Esta família não voltaria a ser notícia, não fosse o facto de em Portugal existir uma escolaridade obrigatória e de naquele clã viverem seis menores que não frequentam, nem nunca frequentaram, qualquer estabelecimento de ensino. Posto isto, o Ministério Público decidiu conhecer melhor e averiguar esta história com o objectivo fulcral de saber se existe alguma espécie de perigo para os menores da família alemã.


No âmbito deste processo administrativo, no qual por enquanto está apenas a decorrer uma recolha de informação, Reinhold Schweikert, o patriarca da família, esteve no Tribunal Judicial de Castelo de Vide, na passada sexta-feira. Dias antes, também técnicas da Segurança Social e dois militares da GNR haviam passado pelo tribunal para serem ouvidos, uma vez que conhecem a quinta e já lá estiveram.


Depois de cerca de cinco horas a falar com Alexandra Nunes, procuradora e curadora de menores do Ministério Público, Reinhold Schweikert era um homem sereno. À saída do tribunal Reinhold falou com os jornalistas para dizer que "expliquei muito, acho que foi bom". O patriarca da ‘Ilha Paraíso’ garantiu que "eles disseram-me para não ter medo, para não me preocupar porque não vão lá tirar as crianças à força".


Segundo as declarações de Reinhold, ter-lhe-á sido questionado se haveria a possibilidade de uma professora ir até à quinta dos Schweikert, pergunta à qual o alemão respondeu afirmativamente, dizendo que "qualquer pessoa pode lá entrar, é uma escola aberta a todos, com ou sem licença, há sempre algo para ensinar e aprender".


Reinhold explicou que "isto é um processo para explicar todas as nossas coisas, explicar como funciona a nossa escola e quando nos conhecem melhor, já nos entendemos".


Aliviado e satisfeito com a conversa que teve com a procuradora, Reinhold garantiu que "vou continuar por aqui", ao contrário do que havia dito antes de entrar no tribunal, quando deixou no ar a possibilidade de ir para outro país. Apesar de ter mudado de ideias ao longo das horas em que esteve no tribunal, Reinhold lembrou que "quero fazer mais ilhas lá fora, queremos conhecer mais países mas agora vou continuar aqui". Na Beirã ou em qualquer outro local, o patriarca dos Schweikert só tem um objectivo: "queremos viver em família, em contacto com a natureza e sem doenças".


O maior medo de Reinhold está relacionado com o contacto dos seus filhos com a civilização, que ele considera ser "uma droga e que só faz mal às pessoas". O patriarca da ‘ilha paraíso’ receia que "nos tentem trazer à força para a civilização porque quando se faz uma vida na natureza depois a adaptação não é fácil, isso custa muito", chegando mesmo a afirmar que "não quero trazer os meus filhos para esta porcaria porque depois é muito difícil voltarem a sair daqui".


Reinhold deixou a certeza que está disponível para aceitar as sugestões que a justiça lhe venha a apresentar, sublinhando que "agora vamos complementar a escola, ter aulas públicas e fazer tudo de forma mais transparente", referindo-se ao projecto que tem em mente de fazer uma escola dentro da sua quinta, ainda que seja mais direccionada para adultos.


Outra questão que também está certamente a ser averiguada neste processo está relacionada com a higiene, uma vez que na quinta ninguém usa casa-de-banho e, quando alguém tem de expelir fezes ou urina, essas necessidades são feitas na rua. Quanto a isso, Reinhold lembrou que "na casa temos isso, canalizações e tudo, mas isso para nós é uma vergonha, é um dos pecados grandes porque tiras tudo da terra e não devolves nada".


Reinhold terminou, dizendo que se sentiu bem durante toda a conversa com a procuradora e que "correu muito bem".


Ana Nunes - Jornal Fonte Nova

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