quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Alemã Edscha pede insolvência mas fábrica no Alentejo continua a laborar


O grupo alemão de componentes automóveis Edscha pediu a insolvência para as suas unidades na Europa, mas a fábrica que possui em Vendas Novas, a única em Portugal, ainda continua a "laborar normalmente", disse hoje fonte sindical.

"Já chegou a informação, vinda da Alemanha, relativa ao processo de insolvência, mas aqui em Vendas Novas temos os ordenados em dia e continuamos a laborar normalmente", revelou hoje à agência Lusa o delegado sindical José Gomes.

O dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul explicou que, de momento, os "cerca de 180 trabalhadores" da unidade alentejana, a "grande maioria deles residentes em Vendas Novas", estão "na expectativa" para "ver de que forma são afectados por esta situação".

"A administração da fábrica tem estado a acompanhar a situação e tem feito reuniões diárias com todos os trabalhadores. Estamos a ver o que isto dá, mas certamente irá afectar-nos", disse.
O grupo alemão Edscha, segundo informação disponível na sua página na Internet, consultada pela Lusa, entregou na passada segunda-feira, num tribunal alemão, um pedido para dar início aos procedimentos de insolvência para as suas unidades europeias.
No global, segundo o mesmo fornecedor da indústria automóvel, a insolvência vai afectar perto de 4.200 trabalhadores, 2.300 dos quais na Alemanha e os restantes em vários países europeus.
O grupo justifica o pedido de insolvência com a "redução maciça" das vendas para o mercado automóvel, combinado com o "deteriorado acesso ao crédito para financiamento".

A única unidade do grupo em Portugal situa-se em Vendas Novas, a Edscha Arjal - Sistemas Técnicos para Automóveis (existe há cerca de oito anos), que produz vários componentes para a indústria automóvel, nomeadamente pedaleiras, toolkit's (onde se coloca macaco e chave das rodas) ou travões de mão.

"A administração da fábrica em Vendas Novas está a tomar todas as medidas para ultrapassar esta situação, mas estamos dependentes do grupo", disse o delegado sindical.

Os trabalhadores, acrescentou, estão ainda "optimistas" e "esperançados" de que "o projecto de Vendas Novas possa andar para a frente" e disponíveis para "tentar ajudar".

"Sabemos que houve uma redução das encomendas devido à crise, que afecta toda a gente, mas ainda estamos a ver quais os efeitos nesta fábrica. Se as coisas piorarem, vamos ter que tomar alguma atitude", acrescentou o dirigente sindical.

A fábrica da Edscha está instalada no Parque Industrial de Vendas Novas (PIVN), cujo responsável, José Afonso Alvito, defendeu hoje que a unidade "tem condições para a sobrevivência em Portugal".

"A empresa é importante para Vendas Novas e é com apreensão que vemos este processo, apesar de pensarmos que, em Portugal, esta fábrica tem condições para a sobrevivência", sustentou.

O responsável do PIVN argumentou ainda ter informações de que a fábrica de Vendas Novas "era a que apresentava melhores resultados de todo o grupo Edscha", acolhendo um "centro europeu de planeamento e de estudos bastante importante".

Desde Novembro, o PIVN tem mantido "reuniões periódicas" com as empresas aí instaladas, para acompanhar as dificuldades causadas pela crise, sendo a "diminuição da procura" a maior queixa apresentada.

No final de 2008, no Parque Industrial de Vendas Novas, fecharam "duas empresas de preparação de cortiça e uma de rolhas", assim como a TIAutomotive, empresa do sector automóvel que já previa encerrar nessa altura.

A produção da fábrica da Edscha em Vendas Novas, de acordo com o sindicalista José Gomes, destina-se "à Autoeuropa e à exportação", equipando "16 marcas automóveis diferentes, como a Iveco, Smart, Saab ou Renault".
OJE/LUSA

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